Jovem Frankenstein: comédia de Mel Brooks em parceira com Gene Wilder

Cena do filme Jovem Frankenstein
Jovem Frankestei: filme dirigido por Mel Brooks

HUMOR REFINADO, ÓTIMAS GAGS VISUAIS E UM TEXTO IMPECÁVEL

Em meados dos anos 1970, filmes em preto-e-branco eram sinônimo de velharia, o nome Frankenstein já não impressionava ninguém e Gene Wilder não era um ator conhecido no Brasil. O que levou este jovem de quinze anos a entrar no cinema para assistir a Jovem Frankenstein, filme de 1974 dirigido por Mel Brooks, foi mesmo a chancela do diretor, a mesma que reconheci estampada na hilariante série de TV intitulada Agente 86. Tinha certeza de que assistiria a uma paródia escrachada, que flertaria com a pastelão e desfilaria gags extraídas do absurdo. Que nada! Deliciei-me com um humor refinado, trabalhado em palavras, mas também em imagens. Um tipo de comédia elaborada, produzida de olho nos detalhes. Quando saí da sala de exibição, demorei um bom tempo até parar de rir.
        Quem diria! O Mel Brooks do cinema era mais compenetrado que o da TV. Continuava engraçado, mas parecia preocupado em entregar para o espectador uma obra mais vistosa, recheada com certa sensibilidade artística. Tinha a clara intenção de realizar cinema de verdade. Não era por menos. Seu filme estava ancorado na tradição de clássicos do terror, como o próprio Frankenstein, dirigido em 1931 por James Whale, que mostrou ao mundo uma adaptação do consagrado romance de Mary Shelley. Mel Brooks descambou para o lado da sátira, mas prestou reverência ao legado que ficou impregnado no imaginário do público por décadas.
        A fotografia em preto-e-branco assinada por Gerald Hirschfeld, bela e precisa, manteve a mesma atmosfera que se espera de um filme de terror. Os truques de estúdio, os cenários e os efeitos especiais, também. Mel Brooks ainda acrescentou uma trilha sonora afinada, assinada por John Morris, que mistura os elementos de drama e comédia em doses certas para cada um dos esquetes. E o laboratório do Dr. Frankenstein, com todas aquelas traquitanas eletromecânicas... Foi recriado à perfeição.
        Imagino que Gene Wilder e Mel Brooks tenham se divertido muito enquanto escreviam o roteiro de Jovem Frankenstein. Seguiram o mesmo mote criado por Mary Shelley e  resgataram o personagem do cientista que brinca de Deus. Porém, não ficaram no terreno da paródia. Foram além. Inventaram ótimas piadas pelo caminho. Comparada com as comédias atuais, que já não têm o mesmo senso de pudor e decoro que as plateias de 50 anos atrás exigiam, esta aqui pode parecer ingênua. O cinéfilo atento, porém, perceberá no filme a gênese do que acabou conhecido como gênero “terrir”. A diferença é que aqui rimos com classe e propriedade! Vejamos a sinopse:
        Jovem Frankenstein conta a história do Doutor Frederick Franconstin (Gene Wilder), neto do famigerado cientista. Ele renega o sobrenome do avô por pura vergonha do seu legado. Quando descobre que tem direito a uma polpuda herança, decide ir à Transilvânia para tomar posse dela. Porém, isso o obriga a uma imersão no mundo dos Frankenstein. É quando descobre as anotações e os aparatos criados por seu avô. Movido pela curiosidade científica – e depois por ambições mais mundanas –repete as experiências e cria um monstro que vai aterrorizar a comunidade.
        Frederick contará com a ajuda de Igor (Marty Feldman), o assistente de olhos esbugalhados e corcunda, mas terá que lidar com as interferências da governanta Frau Blücher (Cloris Leachman) e da sua própria noiva Elizabeth (Madeleine Kahn). Peter Boyle completa o elenco impagável, no papel de monstro. Ah, e fazendo uma engraçadíssima ponta como um cego ermitão, temos ninguém menos do que Gene Hackman!
        Gene Wilder conta que a ideia para o filme Jovem Frankenstein partiu dele, quando estava de férias. Escreveu duas páginas onde tentou imaginar o que faria se descobrisse que era neto de Victor Frankenstein e tivesse que ir à Transilvânia tomar posse da herança. Mostrou a Mel Brooks, mas não o convenceu de imediato. Só depois, quando os executivos do estúdio deram sinal verde, é que os dois escreveram juntos o roteiro, numa parceria afinadíssima.
        O estúdio não queria um filme em preto-e-branco, por achar que isso afugentaria as plateias mais jovens. Mel Brooks, no entanto, ficou o pé. Replicar a atmosfera dos clássicos do terror era, por si só, uma grande piada. O diretor lembra ainda que, depois de alguns testes de audiência, precisou eliminar várias piadas que não entraram no corte final. O resultado foi essa comédia original e divertida, que ainda hoje funciona muito bem. Adoro rever, sempre que possível.

Resenha crítica do filme Jovem Frankenstein

Data de produção: 1974
Direção: Mel Brooks
Roteiro: Mel Brooks e Gene Wilder
Elenco: Gene Wilder, Peter Boyle, Marty Feldman, Madeleine Kahn, Cloris Leachman, Teri Garr, Kenneth Mars, Richard Haydn, Liam Dunn, Danny Goldman e Gene Hackman

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