Jovem Frankenstein: comédia de Mel Brooks em parceira com Gene Wilder

Jovem Frankestei: filme dirigido por Mel Brooks
HUMOR REFINADO, ÓTIMAS GAGS VISUAIS E UM TEXTO IMPECÁVEL
Quem diria! O Mel Brooks do cinema era mais compenetrado que o da TV. Continuava engraçado, mas parecia preocupado em entregar para o espectador uma obra mais vistosa, recheada com certa sensibilidade artística. Tinha a clara intenção de realizar cinema de verdade. Não era por menos. Seu filme estava ancorado na tradição de clássicos do terror, como o próprio Frankenstein, dirigido em 1931 por James Whale, que mostrou ao mundo uma adaptação do consagrado romance de Mary Shelley. Mel Brooks descambou para o lado da sátira, mas prestou reverência ao legado que ficou impregnado no imaginário do público por décadas.
A fotografia em preto-e-branco assinada por Gerald Hirschfeld, bela e precisa, manteve a mesma atmosfera que se espera de um filme de terror. Os truques de estúdio, os cenários e os efeitos especiais, também. Mel Brooks ainda acrescentou uma trilha sonora afinada, assinada por John Morris, que mistura os elementos de drama e comédia em doses certas para cada um dos esquetes. E o laboratório do Dr. Frankenstein, com todas aquelas traquitanas eletromecânicas... Foi recriado à perfeição.
Imagino que Gene Wilder e Mel Brooks tenham se divertido muito enquanto escreviam o roteiro de Jovem Frankenstein. Seguiram o mesmo mote criado por Mary Shelley e resgataram o personagem do cientista que brinca de Deus. Porém, não ficaram no terreno da paródia. Foram além. Inventaram ótimas piadas pelo caminho. Comparada com as comédias atuais, que já não têm o mesmo senso de pudor e decoro que as plateias de 50 anos atrás exigiam, esta aqui pode parecer ingênua. O cinéfilo atento, porém, perceberá no filme a gênese do que acabou conhecido como gênero “terrir”. A diferença é que aqui rimos com classe e propriedade! Vejamos a sinopse:
Jovem Frankenstein conta a história do Doutor Frederick Franconstin (Gene Wilder), neto do famigerado cientista. Ele renega o sobrenome do avô por pura vergonha do seu legado. Quando descobre que tem direito a uma polpuda herança, decide ir à Transilvânia para tomar posse dela. Porém, isso o obriga a uma imersão no mundo dos Frankenstein. É quando descobre as anotações e os aparatos criados por seu avô. Movido pela curiosidade científica – e depois por ambições mais mundanas –repete as experiências e cria um monstro que vai aterrorizar a comunidade.
Frederick contará com a ajuda de Igor (Marty Feldman), o assistente de olhos esbugalhados e corcunda, mas terá que lidar com as interferências da governanta Frau Blücher (Cloris Leachman) e da sua própria noiva Elizabeth (Madeleine Kahn). Peter Boyle completa o elenco impagável, no papel de monstro. Ah, e fazendo uma engraçadíssima ponta como um cego ermitão, temos ninguém menos do que Gene Hackman!
Gene Wilder conta que a ideia para o filme Jovem Frankenstein partiu dele, quando estava de férias. Escreveu duas páginas onde tentou imaginar o que faria se descobrisse que era neto de Victor Frankenstein e tivesse que ir à Transilvânia tomar posse da herança. Mostrou a Mel Brooks, mas não o convenceu de imediato. Só depois, quando os executivos do estúdio deram sinal verde, é que os dois escreveram juntos o roteiro, numa parceria afinadíssima.
O estúdio não queria um filme em preto-e-branco, por achar que isso afugentaria as plateias mais jovens. Mel Brooks, no entanto, ficou o pé. Replicar a atmosfera dos clássicos do terror era, por si só, uma grande piada. O diretor lembra ainda que, depois de alguns testes de audiência, precisou eliminar várias piadas que não entraram no corte final. O resultado foi essa comédia original e divertida, que ainda hoje funciona muito bem. Adoro rever, sempre que possível.
Resenha crítica do filme Jovem Frankenstein
Data de produção: 1974Direção: Mel Brooks
Roteiro: Mel Brooks e Gene Wilder
Elenco: Gene Wilder, Peter Boyle, Marty Feldman, Madeleine
Kahn, Cloris Leachman, Teri Garr, Kenneth Mars, Richard Haydn, Liam Dunn, Danny
Goldman e Gene Hackman
Ótimo. Vou procurar ver (rever?)
ResponderExcluirTambém morri de rir
ResponderExcluir