Matrix: mix de filosofia, ficção científica e ação

Matrix: filme estrelado por Keanu Reeves
UMA SÍNTESE DE TODOS OS CONCEITOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA
Até o comecinho dos anos 1970, a ficção científica no cinema era território das aventuras espaciais, das invasões alienígenas e das distopias. O Dia em que a Terra Parou, Viagem Fantástica, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Solaris, O Planeta dos Macacos... De repente, a chave mudou. Hollywood incentivou a mistura de gêneros e surgiram os filmes que pareciam visitar um futuro com mais verossimilhança: THX 1138, Star Wars, Mad Max, Alien: O Oitavo Passageiro... todos tinham as traquitanas tecnológicas como pano de fundo. Em primeiro plano, estavam os dramas humanos, nossos conflitos internos e nossos dilemas.
Nos anos 80, Blade Runner, de Ridley Scott, impôs um visual novo para os filmes de ficção científica – não quero falar em estética nova, porque naquele filme há muito das narrativas policiais e do cinema noir – e tornou-se paradigma do gênero. Na virada do século, foi a vez de Matrix repetir feito. O filme de 1999, escrito e dirigido pelos irmãos Andy e Larry Wachowski – hoje Lilly e Lana Wachowski – abalou as estruturas dos filmes de ficção científica, com uma abordagem visual francamente extraída dos quadrinhos e potencializada pelos recursos digitais.
Apesar de ser visualmente inovador, não se pode dizer que Matrix represente um novo conceito de ficção científica. Sua consistência como obra cinematográfica está no fato de que podemos enxergar nela um apanhado de tudo o que já foi consagrado no gênero, desde os seus primórdios. Ao partir de uma ideia original, os realizadores trouxeram para o senso comum alguns conceitos filosóficos e religiosos então restritos aos círculos acadêmicos. Inundaram o imaginário do público com elementos que se tornaram ícones da cultura pop.
Matrix conta a história de Thomas Anderson (Keanu Reeves), um hacker conhecido como Neo, que ganha a vida a burlar o sistema. Quando se vê cooptado por uma gangue de rebeldes liderados por Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), descobre que o mundo, como o conhecemos, não passa de uma simulação digital. A verdadeira realidade é tão sombria que ele custa a acreditar: a humanidade foi subjugada pelas máquinas e cada indivíduo, cultivado em um casulo próprio, está reduzido à condição de mera bateria fornecedora de energia para o novo sistema. Agora, Neo terá que aceitar o fato de que é o ser escolhido, ungido com poderes especiais e destinado a salvar a humanidade. Lutará em dois campos de batalha: a realidade digital, que consiste na tal Matrix e a realidade física, da qual acabou de tomar consciência.
O filme segue o protagonista desde o momento em que deixa sua caverna platônica e se junta aos rebeldes para salvar a humanidade. Mas não veremos aqui longas cenas expositivas ou diálogos explicativos para justificar a realidade distópica proposta. Os irmãos Wachowski costuraram um roteiro ágil e inteligente, que consegue guiar o espectador pelos labirintos surreais da história e ao mesmo tempo entreter com épicas cenas de ação – as lutas, as perseguições e as proezas de Keanu Reeves, que tem a habilidade de se desviar das balas disparadas pelos inimigos, são de tirar o fôlego.
Os quadrinhos e os animes de ficção científica são claras influências no resultado estético de Matrix. O filme de animação Akira, realizado em 1988, inspirou as cenas de perseguição e as peripécias que subvertem as leis gravitacionais. Ghost in the Shell, de 1995, ensinou como manipular a consciência humana e estabelecer as interfaces com as máquinas. O filme Metrópolis, de 1927 dirigido por Fritz Lang, mostrou um mundo futurista onde a maior parte da humanidade vive escravizada num espaço urbano hipertecnológico. O próprio romance Neuromancer, publicado por William Gibson em 1984, obra precursora do movimento cyberpunk, já trouxe conceitos arrojados sobre o relacionamento dos humanos com as máquinas.
Em Matrix esses conceitos consagrados foram usados com sabedoria e manipulados com competência pela indústria do cinema, o que resultou numa obra icônica, que marcou a virada do milênio. Tanto é que na festa do Óscar mereceu quatro estatuetas: melhor montagem, melhor mixagem de som, melhor edição de som e melhores efeitos visuais.Ano de produção: 1999
Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Nos anos 80, Blade Runner, de Ridley Scott, impôs um visual novo para os filmes de ficção científica – não quero falar em estética nova, porque naquele filme há muito das narrativas policiais e do cinema noir – e tornou-se paradigma do gênero. Na virada do século, foi a vez de Matrix repetir feito. O filme de 1999, escrito e dirigido pelos irmãos Andy e Larry Wachowski – hoje Lilly e Lana Wachowski – abalou as estruturas dos filmes de ficção científica, com uma abordagem visual francamente extraída dos quadrinhos e potencializada pelos recursos digitais.
Apesar de ser visualmente inovador, não se pode dizer que Matrix represente um novo conceito de ficção científica. Sua consistência como obra cinematográfica está no fato de que podemos enxergar nela um apanhado de tudo o que já foi consagrado no gênero, desde os seus primórdios. Ao partir de uma ideia original, os realizadores trouxeram para o senso comum alguns conceitos filosóficos e religiosos então restritos aos círculos acadêmicos. Inundaram o imaginário do público com elementos que se tornaram ícones da cultura pop.
Matrix conta a história de Thomas Anderson (Keanu Reeves), um hacker conhecido como Neo, que ganha a vida a burlar o sistema. Quando se vê cooptado por uma gangue de rebeldes liderados por Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), descobre que o mundo, como o conhecemos, não passa de uma simulação digital. A verdadeira realidade é tão sombria que ele custa a acreditar: a humanidade foi subjugada pelas máquinas e cada indivíduo, cultivado em um casulo próprio, está reduzido à condição de mera bateria fornecedora de energia para o novo sistema. Agora, Neo terá que aceitar o fato de que é o ser escolhido, ungido com poderes especiais e destinado a salvar a humanidade. Lutará em dois campos de batalha: a realidade digital, que consiste na tal Matrix e a realidade física, da qual acabou de tomar consciência.
O filme segue o protagonista desde o momento em que deixa sua caverna platônica e se junta aos rebeldes para salvar a humanidade. Mas não veremos aqui longas cenas expositivas ou diálogos explicativos para justificar a realidade distópica proposta. Os irmãos Wachowski costuraram um roteiro ágil e inteligente, que consegue guiar o espectador pelos labirintos surreais da história e ao mesmo tempo entreter com épicas cenas de ação – as lutas, as perseguições e as proezas de Keanu Reeves, que tem a habilidade de se desviar das balas disparadas pelos inimigos, são de tirar o fôlego.
Os quadrinhos e os animes de ficção científica são claras influências no resultado estético de Matrix. O filme de animação Akira, realizado em 1988, inspirou as cenas de perseguição e as peripécias que subvertem as leis gravitacionais. Ghost in the Shell, de 1995, ensinou como manipular a consciência humana e estabelecer as interfaces com as máquinas. O filme Metrópolis, de 1927 dirigido por Fritz Lang, mostrou um mundo futurista onde a maior parte da humanidade vive escravizada num espaço urbano hipertecnológico. O próprio romance Neuromancer, publicado por William Gibson em 1984, obra precursora do movimento cyberpunk, já trouxe conceitos arrojados sobre o relacionamento dos humanos com as máquinas.
Em Matrix esses conceitos consagrados foram usados com sabedoria e manipulados com competência pela indústria do cinema, o que resultou numa obra icônica, que marcou a virada do milênio. Tanto é que na festa do Óscar mereceu quatro estatuetas: melhor montagem, melhor mixagem de som, melhor edição de som e melhores efeitos visuais.
Resenha crítica do filme Matrix
Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Elenco: Gloria Foster, Joe Pantoliano, Marcus Chong, Julian Arahanga, Matt Doran Belinda McClory e Ray Anthony Parker
Gosto muito.
ResponderExcluirÉ um ótimo filme!!! Já vi várias vezes!!!!
ResponderExcluirAssisti ontem essas abordagens filosóficas me chamaram a atenção em vários momentos....
ResponderExcluirGostei e vou rever...
ResponderExcluirUm dos melhores filmes em minha opinião.
ResponderExcluirQuando assisti não entendi muito embora tenha gostado no sentido de que me manteve interessada .saí com a impressão de que NEO era um novo Jesus Cristo.
ResponderExcluirSim, de fato há muitas referências religiosas no filme. Neo, como O Escolhido, pode até remeter a Jesus Cristo, mas está longe de transmitir a profundidade da sua mensagem e alcançar a sua natureza divina.
ExcluirQue delícia ler sua crônica, impecável e ainda traz nostalgia , quando vc cita estes filmes fantásticos. Matrix é um marco no cinema, vou assistir novamente, pois sei que vale a pena.
ResponderExcluirAh, muito obrigado. Este filme sempre foi muito inspirador para mim.
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