Ronin: nesse filme todos querem o que está dentro da mala prateada

Cena do filme Ronin
Ronin: filme dirigido por John Frankenheimer

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Você sabe pouquíssimo sobre o protagonista, nada sobre o conteúdo da mala prateada na qual ele tenta pôr as mãos e nem imagina a quantidade de espiões dispostos a matar ou morrer por ela. Sabe apenas que acompanhará as mais perigosas e emocionantes cenas de perseguições em alta velocidade filmadas nas ruas estreitas de Nice e Paris. Ronin, filme de 1998 dirigido por John Frankenheimer, é um filme de ação à moda antiga – se é que isso existe – eletrizante e inesquecível, principalmente por causa das cenas automobilísticas.
        Na literatura, romances de espionagem são atalhos para o sucesso editorial. Costumam ser detalhistas e narram o passo a passo de todas as ações no intrincado embate entre espiões, terroristas e agentes do estado. Autores como Tom Clancy e John le Carré, adaptados para o cinema, ajudaram a preencher o imaginário do público com imagens verossímeis sobre o mundo da espionagem. O fato é que, da Grécia antiga até os sofisticados serviços de espionagem na Guerra Fria, operações secretas existiram e mudaram o rumo da História. Durante a II Guerra Mundial, agentes infiltrados nas inteligências militares uns dos outros tiveram importância crucial na tomada de decisões dos líderes políticos. Esquadrinhar os detalhes é um deleite para os amantes do gênero.
        Em Ronin, no entanto, os detalhes são jogados no lixo, em nome da simplicidade narrativa e da diversão. Para começo de conversa, os realizadores tiveram o cuidado de explicar logo na abertura qual é, afinal, o significado da palavra que dá título ao filme. No Japão feudal, Ronin era como se chamava o samurai que perdeu seu mestre empregador. Para sobreviver, ele passa a prestar serviços como guerreiro de aluguel, enquanto leva uma vida nômade e incerta. Trata-se de uma analogia com os agentes altamente treinados das diversas agências de espionagem que foram desmanteladas com o fim da guerra fria.
        Ronin conta a história de um desses agentes, que conhecemos apenas por Sam (Robert de Niro). Em Paris ele se junta a um grupo recrutado por Deirdre (Natascha McElhone), onde conhece Vincent (Jean Reno), de quem fica amigo. A missão deles é roubar a tal mala cujo conteúdo é um mistério também para eles. Acompanhamos a etapa de planejamento e a execução do plano, quando tudo se complica. Agentes da KGB, guerrilheiros do IRA, traidores de plantão e toda a sorte de agentes furtivos farão qualquer coisa para conseguir a mala, mas Sam não deixará barato para os inimigos.
        O enredo de Ronin é uma criação de J.D. Zeik, mas o roteiro é creditado a Richard Weiz, que vem a ser um pseudônimo usado pelo lendário roteirista David Mamet – ele também escreveu o roteiro de O Destino Bate à Sua Porta, Hoffa – Um Homerm, Uma Lenda, Os Intocáveis, O Veredicto e No Limite, entre outros. O próprio diretor John Frankenheimer afirmou que nada do roteiro original de Zeik foi filmado. Conta-se que Robert De Niro implorou a Mamet para que reescrevesse o roteiro, que não considerava satisfatório. Mamet ampliou a participação do enigmático Sam e poupou o espectador dos detalhes desimportantes sobre a origem dos ex-agentes. Concentrou-se no que interessa e deu uma verdadeira aula sobre como roteirizar filmes de ação!
        Nas cenas eletrizantes que combinam carros e tiros, filmadas na raça – sem os truques da computação gráfica – os dublês tiveram que fazer hora extra! Mas Ronin nos traz mais do que perseguições desenfreadas. Trata-se de um thriller ágil e tenso, com jogos de espionagem e personagens que precisam pensar rápido, enquanto se posicionam de acordo com seus valores e princípios. Há uma atmosfera melancólica de final de festa, onde homens lacônicos lutam pelas sobras de um mundo que já não é mais o mesmo.
        John Frankenheimer era um diretor à moda antiga, que exercia controle criativo sobre todas as etapas do seu filme. Em Ronin ele conseguiu passar autenticidade, não apenas nas cenas de perseguição, mas principalmente no trato com o mundo da espionagem, onde personagens solitários, apegados a códigos estritos de conduta, valem-se de truques e subterfúgios para alcançar seu objetivo – ainda que seja o de atender aos seus interesses pessoais. Nesse filme, velocidade e fúria estão a serviço da verdadeira espionagem!

Resenha crítica do filme Ronin

Data de produção: 1998
Direção: John Frankenheimer
Roteiro: David Mamet
Elenco: Robert De Niro e Jean Reno, Natascha McElhone, Stellan Skarsgård, Sean Bean, Skipp Sudduth, Michael Lonsdale, Jonathan Pryce, Féodor Atkine e Katarina Witt

Comentários

  1. Filme excelente, assisti algumas vezes, tenho vontade de assistir novamente, alguém sabe se tem em alguma plataforma de Streaming????

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    1. Ainda não encontrei esse filme em nenhum serviços de streaming. Talvez, esteja disponível apenas em DVD

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  2. https://filmesmega.online/ronin-dual-audio/

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  3. American Prime.Video. vc vai encontrar

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  4. Tá no Amazon Prime Video

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