Um Bom Ano: comédia romântica de Ridley Scott

Cena do filme Um Bom Ano
Um Bom Ano: filme de Ridley Scott

LONGE DA AÇÃO E PERTO DOS CLICHÊS ROMÂNTICOS

Na indústria do cinema, o diretor britânico Ridley Scott e o ator neozelandês Russel Crowe estabeleceram uma parceria criativa, que resultou em vários filmes de sucesso, como Gladiador, Robin Hood, Rede de Mentiras e O Gângster. Quando encontra os dois nomes nos créditos, o cinéfilo em busca de bom entretenimento, mas exigente quanto à qualidade do que assiste, já sabe o que esperar: muita ação, aventura, intensidade dramática e doses calculadas de violência. Entretanto, nada disso se aplica ao filme Um Bom Ano, realizado em 2006. Para decepção de muitos fãs – e surpresa de uma fatia de público mais interessada em romance – o diretor e o ator dedicaram seu valioso tempo para contar uma história mais... frugal, com notas de sessão da tarde.
        Essa comédia romântica é um ponto fora da curva na filmografia de Ridley Scott, mais lembrado por filmes de ficção científica e thrillers repletos de ação. Aqui, Russel Crowe, consagrado por interpretar personagens mais ásperos, se atreve a viver um galã, enquanto exala bom-mocismo e romantismo. O resultado, porém, desagradou a crítica especializada. Talvez não esperassem topar com uma comédia tão leve e agarrada aos estereótipos do gênero. Talvez tenham engasgado com a falta de pancadaria e o excesso de água com açúcar.
        Para quem não é crítico, nem especializado, Um Bom Ano acertou em cheio. O filme acerta na leveza e no tom despreocupado. Traz um enredo simples e tem final previsível, mas pensando bem, não é exatamente isso que se espera de uma comédia romântica? O filme conta a história de Max Skinner (Russel Crowe), um lobo do mercado financeiro que vive em Londres, focado nos negócios. Quando recebe o aviso da morte do seu tio Henry (Albert Finney), descobre que herdou um pequeno vinhedo no sudeste da França. Disposto a vendê-la rapidamente, desembarca na região da Provença com a intenção de não ficar mais do que uma semana. Mas esse prazo é suficiente para recordar as férias de infância, afeiçoar-se aos empregados Francis (Didier Bourdon) e Ludivine Duflot (Isabelle Candelier) e, é claro, tropeçar com a encantadora Fanny Chenal (Marion Cotillard) e apaixonar-se.
        A matéria-prima de Um Bom Ano é a previsibilidade. Seu roteiro foi escrito por Marc Klein, que fez a adaptação para as telas do romance com o mesmo título escrito em 2004 por Peter Mayle. Ocorre que Peter Mayle e Ridley Scott são amigos de longa data. Oriundos do mundo da publicidade, ambos tiveram a ideia para o romance enquanto dividiam uma garrafa de vinho provençal, na casa de férias que Scott manteve na região por vários anos.
        O livro de Peter Mayle transita com leveza e alegria pelos encantos da região – uma das mais encantadoras da França, mas Ridley Scott precisou ajustar a narrativa para fazê-la caber nas telas. A presença de Max foi ampliada, assim como a do tio Henry, por meio de cenas em flashback, criadas para desfiar as incontáveis lições de vida que o protagonista precisa aprender para completar seu arco de transformação. Apesar de não ser favorável ao filme, a crítica não conseguiu detoná-lo. Há talento de sobra envolvido em sua realização – no elenco estrelado, nas belas locações, na fotografia caprichada e na direção segura de Ridley Scott.
        Herdar um vinhedo no interior França, resgatar as lembranças da infância e conhecer uma paixão arrebatadora. Em Um Bom Ano, Russel Crowe passa por tudo isso, mas precisa viver complicações em série antes de alcançar o final feliz ao lado da bela Marion Cotillard. Nesse meio tempo, o espectador aproveita o prazer de experimentar como é a vida num lugar pitoresco e ao mesmo tempo sofisticado, onde adoraria passar as férias.

Resenha crítica do filme Um Bom Ano

Título original: A Good Year
Data de produção: 2006
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Marc Klein
Elenco: Russell Crowe, Albert Finney, Marion Cotillard, Abbie Cornish, Didier Bourdon, Isabelle Candelier, Freddie Highmore, Tom Hollander, Rafe Spall, Richard Coyle, Archie Panjabi e Kenneth Cranham

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