Ponte dos Espiões: fatos verdadeiros que esquentaram a guerra fria

A Ponto dos Espiões: filme de Steven Spielberg
UM CIDADÃO COMUM TEM QUE LIMPAR A LAMBANÇA DO APARATO ESTATAL
A expressão “Guerra Fria” surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial, cunhada nos bastidores da política americana, para indicar que, dali em diante, a luta contra os comunistas soviéticos não se daria mais nos campos de batalha, mas nos territórios da política, da propaganda e da espionagem. Porém, o clima dessa disputa ficou cada vez mais quente, com lances potencialmente desastrosos, jogados no tabuleiro internacional. No filme Ponte dos Espiões, dirigido em 2015 por Steven Spielberg, somos apresentados a um personagem esquecido, que atuou sem alarde, mas fez a diferença num dos momentos mais tensos da guerra fria.Trata-se do advogado especializado em seguros James B. Donovan, que se envolveu na mais importante troca de espiões entre russos e americanos realizada em 1962. Mas antes de falar sobre ele, quero falar sobre o homem que o tirou do ostracismo: o jovem roteirista britânico Matt Charman. Ao ler o livro An Unfinished Life, escrito por Robert Dalleck – com revelações sobre os anos de JFK na Casa Branca – Charman tropeçou numa pequena nota de rodapé, que mencionava a importância do obscuro advogado numa tal operação de troca de espiões. Pronto! Curioso, puxou o fio da meada e desenrolou uma ótima história, que acabou contada no filme Ponte dos Espiões. É claro que ele precisou pesquisar bastante. Entrou em contato com o filho do advogado e, a partir de depoimentos, costurou um roteiro que chegou às mãos de Spielberg e fisgou o cineasta de imediato. Curiosamente, o roteirista não menciona ter se baseado no romance Bridge of Spyes, escrito em 2010 por Giles Whittell, que conta a mesma história.
Vamos à sinopse do filme Ponte dos Espiões! Quando o espião soviético Rudolf Abel (Mark Rylance) é capturado em território americano, a opinião pública quer para ele a pena de morte. A desconfortável tarefa de defendê-lo recai sobre o advogado James B. Donovan (Tom Hanks). Suas manobras jurídicas dão errado, mas ele convence a corte a manter o espião vivo, para usá-lo como moeda de troca. Dito e feito: pouco depois, o piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) é preso pelos soviéticos, quando seu avião espião é abatido. O caso explode na mídia e aumenta o clima de tensão entre as superpotências. Então, lá vai Donovan negociar a troca entre os espiões, munido de competência, senso de justiça e uma inabalável crença nos direitos individuais. Terá que lidar com os desmandos totalitários do lado de lá do muro de Berlin e conhecerá os podres que infestam os bastidores da política e da espionagem.
A história caiu perfeita para o estilo cinematográfico de Steven Spielberg. Ele enxergou em Donovan um herói com autenticidade e credibilidade, como tantos que já habitaram seus filmes – Tom Hanks também percebeu que interpretá-lo seria uma grande oportunidade. Mas não foram só eles! Os irmãos Ethan e Joel Coen, roteiristas consagrados por filmes como Onde os Fracos Não Têm Vez, Fargo, O Grande Lebowski, Bravura Indômita e A Balada de Buster Scruggs, também se interessaram em tomar parte no projeto. Steven Spielberg então pediu a eles que aperfeiçoassem o script original. Para o roteirista Matt Charman, foi como ganhar na loteria: além de levar os créditos por um roteiro filmado por Spielberg, viu sua história ganhar mais corpo pelas mãos de dois dos maiores roteiristas da indústria do cinema. Os irmãos Coen mantiveram a mesma estrutura do roteiro original, mas trouxeram seu toque de humor inteligente e sua capacidade de ampliar o subtexto. Acrescentaram densidade e dramaticidade à história.
Roteiro: Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen
Elenco: Tom Hanks, Mark Rylance, Scott Shepherd, Amy Ryan, Sebastian Koch, Alan Alda, Austin Stowell, Domenick Lombardozzi, Michael Gaston, Peter McRobbie, Stephen Kunken, Joshua Harto, Edward James Hyland e Marko Caka
Em Ponte dos espiões, Spielberg mais uma vez cutuca um tema politizado, com alto potencial para fazer os cinéfilos ideologizados revirarem na poltrona. Mas dessa vez ele conta com a acidez dos irmãos Coen, que salpicaram momentos de humor numa trama onde os aparatos estatais disputam o campeonato de rabugice e autoritarismo. Tom Hanks, ao interpretar James B. Donovan, exibe sua tradicional competência e vive um homem comum, pego no fogo cruzado da guerra fria, que precisa fazer escolhas morais enquanto lida com a intromissão estatal em ambos os lados do muro de Berlim. Mas quem ganhou o Óscar de melhor ator coadjuvante por seu papel nesse filme foi Mark Rylance. Ah! E o elenco ainda conta com, Amy Ryan, Alan Alda e Sebastian Koch! Vale a pena conferir!
Resenha crítica do filme Ponte dos Espiões
Data de produção: 2015
Direção: Steven SpielbergRoteiro: Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen
Elenco: Tom Hanks, Mark Rylance, Scott Shepherd, Amy Ryan, Sebastian Koch, Alan Alda, Austin Stowell, Domenick Lombardozzi, Michael Gaston, Peter McRobbie, Stephen Kunken, Joshua Harto, Edward James Hyland e Marko Caka
Leia também as crônicas sobre outros filmes dirigidos por Steven Spielberg:
- A Cor Púrpura
- Guerra dos Mundos
- Cavalo de Guerra
- O Terminal
- Minority Report
- Amistad
- A Lista de Schindler
- The Post – A Guerra Secreta
- O Resgate do Soldado Ryan
- Império do Sol
- Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida
- Contatos Imediatos do Terceiro Grau
- Tubarão
- A.I. Inteligência Artificial
- Jurasic Park
- Jogador No 1
Gosto dos filmes, que Tom Hanks atua, esse não seria a excessão. A História é dramática. A foto dele na ponte com a expressão de tristeza ou pesar, é em resposta á pergunta que ele faz ao "espião soviético": _Eles o libertarão?
ResponderExcluir__Se eu sentar no banco de traz, não....
Sim, esse é um filme dramático. Lembro de que quando era criança, o caso do piloto Gary Powers ocupou grande espaço na mídia!
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